5 de fevereiro de 2021

Afastada dos confrontos políticos no estado, Eliziane Gama lidera bloco no Senado e ganha força para 22

 


Com atuação discreta durante a guerra eleitoral que no ano passado elegeu os novos prefeitos e vereadores e sem se envolver na disputa ferrenha entre o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) na barulhenta eleição da diretoria da Famem, situações pelas quais foi elogiada e criticada, a senadora Eliziane Gama (Cidadania) foi escolhida para liderar o Bloco Senado Independente (BSI), formado por nove parlamentares de quatro partidos – Cidadania, PDT, Rede e PSB – além de ter sido eleita para a 3ª suplência da Mesa do Senado, o que reforçou seu cacife no plenário da Câmara Alta. A liderança do BSI e a suplência no comando da Casa confirmaram o que já vinha sendo percebido por observadores mais atentos: Eliziane Gama resolveu investir toda sua energia política na primeira metade do mandato senatorial, atuando fortemente como parlamentar – com discursos densos sobre temas fortes, incluindo severas críticas ao Governo e às diatribes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) –, e como legisladora – já tem uma considerável produção legislativa. Além de brigar pelos interesses do Maranhão na Esplanada dos Ministérios.

Parece claro que nesse primeiro momento da sua trajetória na Câmara Alta a senadora fez uma opção clara e objetiva por não se envolver na dura e desgastante guerra política da planície. Isso pode ser explicado em parte pelo fato de não pertencer a um partido que joga pesado nesse campo – o Cidadania elegeu apenas um prefeito. E também pelo fato de que na maioria dos municípios a disputa se deu num ambiente em que mais da metade dos candidatos a prefeito associaram suas eleições a líderes que miram o Palácio dos Leões nas eleições de 2022, a exemplo do seu colega Weverton Rocha e do vice-governador Carlos Brandão. O seu envolvimento ostensivo na disputa municipal certamente a colocaria como parte desse confronto maior pela sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB). E como seu partido não tem lastro, o resultado das eleições municipais certamente a apontaria como uma liderança derrotada e sem base. O distanciamento da refrega a livrou de um desgaste desnecessário.

Já vista por seus pares como um quadro de excelência parlamentar, a senadora Eliziane Gama tem agora o desafio de mostrar que tem habilidade para jogar num tabuleiro de raposas. O BSI é um bloco que, independentemente das ações individuais dos seus integrantes, tem três focos, que estão interligados: a defesa da democracia, a defesa dos interesses nacionais e o fortalecimento do Senado. Sua tarefa é articular posições comuns dos integrantes do BSI em relação a questões e projetos importantes. Não será tarefa fácil unir o bloco, que reúne senadores como o determinado Weverton Rocha, o atuante e bem posicionado amapaense Randolfe Rodrigues (Rede), e o competente, mas temperamental, cearense Cid Gomes (PDT). Se topou o desafio, encarado por Weverton Rocha desde que o bloco foi formado, Eliziane Gama o fez convencida de que dará conta do recado.

O seu distanciamento das guerras na planície, porém, não a afastaram da elite política que se movimenta alimentando projetos de poder dentro da grande aliança comandada pelo governador Flávio Dino, a exemplo de Weverton Rocha, Carlos Brandão e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), e fora dela, como o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), e seu colega de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), para citar alguns exemplos. Em todas as conversas e avaliações isentas de partidarismo, Eliziane Gama é naturalmente incluída. E com um dado importante que favorece seu cacife: não tendo condicionamento partidário, tem perfil adequado para surgir como nome de consenso num ambiente de fortes tensões e diferenças. E não são poucos os que a veem por esse viés, enxergando um nome preparado e preservado para liderar a aliança dinista como candidata ao Governo em 2022.

Seus movimentos nos próximos meses dirão como será seu futuro próximo na seara política do Maranhão.